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Passamos a vida a valorar quem não tem valor, a dar amizade a quem não a merece, a dar atenção a quem não a conquistou, a dar amor a quem o não sabe receber.
A teoria do dar a outra face ou do dar sem esperar nada em troca é, a meu ver, uma grandessíssima desculpa dos ‘não merecedores’, esses que não mandam uma carta porque escrever está ultrapassado, esses que não telefonem porque com o telemóvel resolve-se tudo, esses que não visitam para não serem incómodos, esses que nunca estão presentes, mas que, de acordo com a sua teoria ‘quando é preciso estão lá’!
Eu não procuro quem não quero, não telefono a quem não me interessa, não visito quem não releva na minha vida. Mas, infelizmente ainda caio no disparate de dar atenção, carinho, colo a quem não passa de um ‘não merecedor’, de um mero ‘blood sucker’, e queixo-me – como me queixo - de quem me liga, procura, telefona, ama... porque me sinto controlada, limitada, com falta de ar, e nem me apercebo que esses são aqueles que verdadeiramente merecem o escasso amor que ainda, porventura, tenha. A estes peço as mais profundas e sentidas desculpas por ser uma cabra insensível e não os merecer. Estamos sempre a aprender e burro velho aprende línguas, nem que seja na próxima encarnação.